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ANGÉLICA CASTRO NEUHAUS

Para a bailarina Angélica de Campinas/SP, a dislexia trouxe travas e sentimento de impotência, mas ao mesmo tempo invocou uma força enorme de encontrar um caminho, e o caminho escolhido foi a dança.
Embora muitas vezes os resultados não fossem os desejados, a possibilidade de estar sempre aprimorando a técnica, e vencendo os obstáculos, a levou a se organizar, e criar uma rotina para fazer as entregas desejadas, no ballet e na vida.

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2021
CAMINHOS

O vídeo “Caminhos”, de Maria Angélica de Castro Neuhaus, funciona como metáfora de percursos existenciais. Assim como a bailarina vai em múltiplas direções durante a apresentação, somos desafiados pela vida a seguir múltiplas direções. As escolhas são constantes e raramente são fáceis. Para uma artista disléxica, o ballet clássico pode parecer um universo de impossibilidades devido às exigências de memorização de coreografias entre muitos outras barreiras impostas pela sociedade e que podem bloquear desenvolvimentos e vocações. Angélica não deixou que as negativas ouvidas e praticadas pelas mais diversas situações a impedissem de prosseguir. Graças à luta e ao apoio de profissionais competentes e empáticos, transformou o que muitos julgaram impotência em potência, construindo e percorrendo os seus caminhos.

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Oscar D’Ambrosio

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DANÇA

2022
CONTRAPONTO

O trabalho apresentado tem como fundo musical a versão instrumental de “7 Seconds”, do senegalês Youssu N’Dour. A melodia, em sua versão em três línguas, com Neneh Cherry, é considerada um manifesto sobre o preconceito racial. Inserida no álbum “The Guide (Wommat)” (1994), é potencializada ainda em um vídeo clipe produzido em preto e branco que faz refletir sobre os sentidos e conceitos da cor.

O trabalho aqui apresentado mostra a própria Maria Angélica, de mais de 50 anos,heterossexual, disléxica e negra; e Jeferson, de mais de 20 anos, LGBT e branco, como bailarinos. Há, portanto, uma representação de distintas raças, idades, gêneros, classes sociais e características físicas e intelectuais. O trabalho lida com esses contrapontos, indicando, assim como a música escolhida, que apenas nos primeiros 7 segundos de vida é possível estar totalmente neutro às tensões e preconceitos. Depois, o meio no qual vivemos multiplica as suas influências nos mais diversos níveis.

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Oscar D’Ambrosio

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DANÇA

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POR
ANGÉLICA

Se a dislexia me propiciou travas e sentimento de impotência, ela, ao mesmo tempo, invocou em mim uma força enorme de encontrar um caminho para eu ser boa em algo.

O ballet era o meu tudo, tive afinidade com ele desde muito cedo. Por toda minha vida, sem eu estar consciente, escolhi o ballet para quebrar paradigmas e vencer obstáculos.

Hoje percebo que o ballet era um refúgio para mim, nos momentos de crise. Sem, no entanto, ter sido a área onde eu conseguia realizações, resultados desejados ou até mesmo sucessos. Com ballet, eu sentia intuitivamente que residia algo ao meu alcance, possível de ser conhecido e trabalhado.

Hoje me considero uma pessoa muito treinada para driblar lapsos de memória.

Além do contexto coreografia, eu aprendi a me organizar, dentro de minha velocidade reduzida, garantindo a antecedência necessária para concluir trabalhos em tempo hábil.

Lidar com minha dislexia me ensinou tudo isso, primeiramente no ballet. Depois, replicando e expandindo meus aprendizados para todos os meus trabalhos, seja sozinha ou em parcerias. Inclusive hoje como empreendedora.      

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