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BENTO PINTO PEREIRA

Bento teve uma escolarização difícil em uma época em que sua dislexia não era compreendida. Sua experiência de leitura e escrita foi marcada por cobranças, mas sua capacidade de enxergar possibilidades em objetos e materiais tornou-se central em sua vida artística. Ele não parte necessariamente de um desenho: olha para uma peça e imagina o que ela pode se tornar.

@BENTOESCULTOR

2026
FAMÍLIA DE RETIRANTES DO NORDESTE

A jornada de uma família pelo ambiente seco e inóspito espelha a luta diária de uma mente disléxica para cruzar a "seca" das palavras e decifrar o texto. A família sertaneja deixa a terra seca, assim como o leitor disléxico inicia a leitura diante de um deserto de letras confusas. Se o sol forte distorce o horizonte, as letras parecem dançar, flutuar ou se misturar na página. Já o peso das trouxas nas costas representa o esforço e o cansaço mental para reter e processar cada frase lida. A força do povo nordestino, portanto, reflete a resiliência do disléxico, que desenvolve caminhos alternativos e criativos para seguir em frente, sendo que a chegada à nova terra traz o alívio, simbolizando o momento em que o código da escrita é finalmente decifrado e compreendido até tudo começar novamente.

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Oscar D’Ambrosio

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ESCULTURA

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por
BENTO

Eu não posso ver nada que a cabeça já faz assim: eu sempre vejo alguma coisa.

Olho para uma catraca de bicicleta, dessas de dez, doze marchas, e vejo uma coruja.

Como é que tem uma coruja aí?

Não sei. Eu só sei que eu vejo.

Uma vez, olhei para seis cabos de vassoura e vi um carro de Fórmula 1. Não me pergunte como.

Foi assim a vida toda. Eu olho para as coisas e vejo outra coisa.

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